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Estabeleceu-se recentemente (volta e meia o assunto reaparece, principalmente instigado pelos convênios) polêmica em torno da cobrança de honorários profissionais pelo CD, por ocasião de consulta em consultórios ou hospitais, por ocasião da primeira visita do paciente. Procura-se, por meio de "forças ocultas" (muitas vezes leigas e não representativas da classe), descaracterizar a primeira visita de um paciente como uma verdadeira consulta, classificando-a como uma mera elaboração de "orçamento".
Ora, uma simples leitura de nosso Código de Ética e da Lei Básica da Odontologia evidencia o direito inalienável do CD de ser remunerado pelos seus serviços, deixando ao nosso critério pessoal e intransferível a dispensa de cobrança de honorários.
Podemos dispensar a cobrança de honorários de pacientes carentes, que não possam pagá-los; podemos isentar de remuneração o atendimento a colegas, princípio ético não escrito, mas consuetudinário
Constitui infração ética anunciar serviços gratuitos, inclusive as consultas; constitui-se em ingenuidade aceitar convênios que não remunerem a consulta odontológica.
Mas, além de fazer estas considerações em torno de nossos códigos, é válido relembrar aqui alguns conceitos básicos de Diagnóstico, que fundamentam o ato odontológico da consulta, diferenciando-a da simples elaboração de um orçamento.
O atendimento inicial de um paciente exige do profissional conhecimentos de Semiologia, que genericamente pode ser definida como "tudo o que pode ser indício de doença", no dizer de Grinspan. Estuda os sinais e sintomas; os indícios de determinadas doenças (meio ambiente, sexo, profissão, idade, cor, etc); e os dados colhidos nos exames complementares. Já a semiotécnica
(do grego semeron= sinal e techno = arte) estuda a maneira de conduzir um bom exame semiológico. Compreende o interrogatório ou anamnese e o exame clínico. A anamnese elucida enfermidades próprias, distantes ou recentes; as enfermidades familiais e elucida o que se refere à doença atual ou queixa principal do paciente. Já o exame do paciente compreende o exame bucal e regional (cabeça, colo, face) e o geral, se houver indicação (pele, vísceras, facies, etc).
A anmnese e o exame físico constituem a história clínica que, associados com os exames complementares, levam à fase da Propedêutica Clínica, definida como a interpretação de todo o conjunto, "juntando" todos os dados e elaborando o diagnóstico.
Estabelecido o diagnóstico e explicado ao paciente, o profissional propôe e eventualmente executa o tratamento, ou, se assim achar conveniente, refere o paciente a um colega especialista.
Relembro aqui estes conceitos básicos de Diagnóstico para ilustrar o conceito fundamental de que uma consulta é procedimento muito mais sério do que uma simples confecção de orçamento. A consulta exige dos profissionais amplos conhecimentos, experiência, tirocínio e bom-senso clínicos, obtidos após longos anos de estudos árduos e complexos da formação do cirurgião-dentista e do estomatologista.
Minha mensagem aos mais jovens colegas é o da dignidade da nossa profissão, pela valorização do trabalho e de seus conhecimentos arduamente conquistados. Os caminhos do sucesso profissional estão cada vez mais tortuosos, não há dúvidas. Mas, estas dificuldades serão superadas pela manutenção de uma linha de conduta ética e científica, não fazendo concessões a eventuais cantos de sereia que surjam no caminho, a serviço de interesses muitas vezes estranhos ao meio odontológico.
Wilson Denis Martins, Curitiba |